Rede Côa Selvagem: uma economia baseada na natureza que tem na cooperação a sua maior força

Agosto 19, 2026

Em 2025, a Rede Côa Selvagem reafirmou-se como um dos projetos mais estruturantes do território do Grande Vale do Côa dos últimos anos, consolidando uma visão ambiciosa: transformar conservação da natureza num motor de desenvolvimento socioeconómico desta região. Promovida pela Rewilding Portugal, a rede reúne atualmente 64 empresas, unidas por uma visão comum de futuro: fazer do Grande Vale do Côa “o lado mais selvagem de Portugal” e potenciar assim a sua atratividade.

Uma rede diversa, mas unida

Esta rede, com 64 empresas diferentes, está dividida em cinco grandes setores: alojamento, produtos endógenos, visitação (natureza, histórica etc.), restauração e DMCs/agências de viagens, e tem representação em onze concelhos deste vasto território. A representatividade continua maior nos concelhos onde a Rewilding Portugal opera mais diretamente com áreas rewilding ou escritórios, nomeadamente Guarda, Sabugal e Pinhel, mas existem outros concelhos com negócios dinâmicos a integrarem o projeto e ganharem cada vez mais expressão, como é o caso de Mêda.

Este é o terceiro ano que se realiza um inquérito de impacto e satisfação, e é exatamente desse relatório que surgem todos estes números e métricas, divulgados também num relatório público. Neste momento, a relevância que a rede vai ganhando no mercado é notória e isso advém também de um potencial de comunicação que em conjunto se torna forte e significativo: a Rewilding Portugal tem mais de 160 mil seguidores nas suas redes sociais e os membros da rede somam mais de 250 mil seguidores também no seu conjunto, o que representa uma audiência de quase meio milhão de seguidores que de uma forma ou de outra já ouviram falar deste projeto e que podem ajudar a escalá-lo a outro nível.

Impacto económico mensurável

O rewilding é atrativo, principalmente se combinado com a atratividade própria destes negócios. Em 2025, os membros da Rede Côa Selvagem e a Rewilding Portugal receberam mais de 85 mil clientes no território. Mais de metade destas empresas registou aliás um aumento de clientes face ao ano anterior, confirmando uma tendência de crescimento sustentado.

Mas o rewilding deve ser mais do que atrativo: deve gerar impacto positivo no território onde acontece, criando assim novas oportunidades que unam estes negócios a uma natureza mais viva, selvagem e em recuperação. Um dos dados mais expressivos é o crescimento da faturação gerada diretamente através da rede, já que foram registados mais de 82 mileuros de faturação, um aumento de 138% face a 2024. Para um terço dos membros dos membros, esta receita seria claramente inferior sem a pertença à rede. Mais significativo ainda: 94,3% dos membros acredita que o seu negócio continuará ativo daqui a cinco anos. Sem a rede, essa confiança dos membros desce para 48,1%. Este diferencial demonstra o papel estruturante da Rede Côa Selvagem na viabilidade económica dos negócios locais.

É também uma rede com impacto na capacidade de gerar postos de trabalho e novas oportunidades profissionais a quem vive neste território. Atualmente, os membros empregam 168 trabalhadores a tempo inteiro, contribuindo diretamente para a retenção de talento e dinamização económica da região.

Colaboração e capacitação como pilares centrais

A colaboração continua a ser uma das grandes mais-valias desta rede. Em 2025, 70% dos membros colaboraram diretamente entre si, e a média situa-se entre 2 a 3 parcerias por membro. No total foram aliás registados 59 eventos e iniciativas conjuntas entre empresas e com a própria Rewilding Portugal. As parcerias mais comuns incluem compra direta de produtos locais, criação de pacotes turísticos combinados, contratação de serviços entre membros e marketing partilhado. Esta dinâmica fortalece a circularidade económica e cria um verdadeiro ecossistema empresarial baseado na natureza nesta região.

A capacitação foi outra das grandes apostas de 2025. Desde o início da rede, em 2019/2020, mais de um terço dos membros já participaram em formações providenciadas pela mesma, sendo objetivo ultrapassar os 50% já em 2026. A maioria dos membros reconhece uma forte aquisição de novas competências desde a sua adesão, com destaque para: rewilding e observação de natureza; trabalho em rede e sinergias; boas práticas em experiências turísticas; conhecimento aprofundado da região.

Impacto territorial e ambiental

Os efeitos da rede vão além dos números económicos e é essa também uma das grandes preocupações que distingue este projeto. Por isso mesmo, mais de 94% dos membros reconhece que os seus negócios e a sua pertença à rede contribuem para uma coexistência positiva com a vida selvagem e para a recuperação de habitats.

E isso reflete-se nas comunidades locais, com quase a totalidade dos membros a identificar um aumento do orgulho local e da perceção do território como destino de turismo de natureza de excelência graças à existência deste projeto. A promoção externa, participação em feiras, presença mediática e produção de conteúdos audiovisuais têm reforçado este reconhecimento externo de uma região com tanto para oferecer.

Ao nível da sustentabilidade, cerca de 40% dos membros implementaram novas práticas em 2025, como: circularidade e uso de fornecedores locais; redução de plásticos e descartáveis; poupança de água e energia; comunicação ativa de boas práticas aos clientes. A circularidade local assume-se como prioridade estratégica, reforçando um modelo económico mais resiliente e menos dependente de cadeias externas.

Um modelo replicável de economia baseada na natureza

A Rede Côa Selvagem demonstra que é possível alinhar restauro ecológico, turismo e desenvolvimento local num modelo coerente e mutuamente benéfico. O crescimento do turismo de natureza, o reforço das parcerias locais, o aumento da faturação e a confiança no futuro provam que esta estratégia está a gerar resultados concretos e múltiplos.

Uma rede que se afirma como uma comunidade de propósito: pessoas e natureza a coexistir mutuamente e a beneficiarem da sua interdependência.

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