Vilar Maior, o coração selvagem de Portugal no Grande Vale do Côa

Abril 16, 2021

A aldeia de Vilar Maior, no concelho do Sabugal, está a ganhar e a dar nova vida ao seu património histórico e natural. Bem no centro de uma das novas áreas de rewilding no nosso país, é um local com muito para conhecer, explorar e visitar, sempre com respeito pela natureza.

Área de rewilding do Vale Carapito, Vilar Maior, Grande Vale do Côa. Créditos: Rewilding Portugal

 

Vilar Maior, aldeia histórica

A aldeia de Vilar Maior, pertencente à rede das 5 Vilas Medievais do Sabugal, localizada no concelho do Sabugal, tem um enorme património histórico e que vem atraindo alguns visitantes, principalmente aqueles que percorrem a Grande Rota do Vale do Côa. Atualmente União de Freguesias de Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos, é no entanto, é ainda um destino improvável e desconhecido, com muitas potencialidades a explorar.

Fundada no século XII, tem ainda muita simbologia e elementos do controlo espanhol, sendo que se pode ver e passear por tudo num pequeno passeio a pé, sendo um local ótimo para visitar numa tarde de Verão, ou num fim-de-semana de Primavera para escapar à rotina diária e urbana. Com um castelo em bom estado de conservação, elevado e onde se consegue ver toda à aldeia, existe em Vilar Maior uma magia muito especial, mais não seja porque ali se respira um ar puro que hoje em dia é tão raro de sentir. Para além do castelo, subsiste ainda uma torre, assim como parte da muralha, uma cisterna, alguns arcos e escadaria para chegar ao seu topo. Desde 2016, existe ainda um novo museu da aldeia, que dá a conhecer a sua história, tendo presentes vários elementos de arqueologia, arte sacra, livros antigos etc., que compõem um espólio muito interessante e digno de visita. Na base do museu encontra-se uma gravura rupestre que embora abstrata tem todo um peso histórico e de antiguidade que a suporta e a torna muito especial. Outro ponto de paragem obrigatória é ainda a Igreja Matriz, inspirada em São Pedro e edificada no século XIII.

Em Vilar Maior passa o rio Cesarão, afluente do rio Côa e onde se pode estar em contacto com a natureza no seu estado mais puro e intocável. Atualmente vivem apenas cerca de 100 habitantes na aldeia. Pessoas simpáticas, gentes da terra que cumprimentam quando passamos, mesmo que não nos conheçam. Pessoas que se sentem orgulhosas de ver que há pessoas de fora a virem conhecer Vilar Maior. O seu Vilar Maior.

 

Castelo de Vilar Maior. Fotografia de domínio público

 

Património potenciado por uma associação dinâmica

Surgiu há dois anos, fruto da vontade de dinamizar a aldeia e de atrair mais visitantes, a Associação Muralhas de Vilar Maior, presidida por Joaquim Simões. Esta nova associação tem como objetivo promover contactos intergeracionais na aldeia, desenvolvendo atividades para todas as faixas etárias; preservar e divulgar o património cultural, material e imaterial da aldeia; realizar parcerias com entidades que ajudem a promover Vilar Maior e desenvolver novas atividades na aldeia; e ainda, divulgar Vilar Maior e o seu património para o exterior. É exatamente nestes dois últimos pontos que se enquadra a parceria realizada com a Rewilding Portugal, que vai trazer ao território diversas atividades de promoção de Vilar Maior e do seu riquíssimo património cultural e natural, nomeadamente através de visitações e maratonas fotográficas, assim como ações promocionais de redes sociais e de divulgação através de influencers digitais.

Para Bárbara Cardoso, vice-presidente da associação, a parceria com a Rewilding Portugal é importantíssima para o cumprimento dos seus objetivos e para o desenvolvimento de um plano de atividades mais completo. “Consideramos a parceria estabelecida como estratégica, coerente com a nossa missão e objetivos, fundamental na dinamização de atividades e promoção do património natural e cultural de Vilar Maior, mesmo além-fronteiras. Temos fortes espectativas nas atividades que já planeamos realizar no âmbito da parceria, cujas dinâmicas que daí resultarem serão um forte contributo para a valorização da nossa aldeia e também uma mais-valia para o incremento da economia local”, refere relativamente a esta nova ligação que agora surge.

A primeira atividade a ser desenvolvida em conjunto pelas duas entidades acontece já no dia 22 de Maio, com uma maratona fotográfica muito especial e que vai levar os participantes a conhecer o lado mais selvagem desta região.

 

 

Vale Carapito, nova área de rewilding

O Vale Carapito, uma propriedade adquirida pela da Rewilding Portugal para executar ações de conservação que reforçam o corredor ecológico do Grande Vale do Côa, é a nova área de aplicação prática de rewilding em Portugal. Localizada perto de Vilar Maior, , promete ser o novo mostruário dos benefícios que o rewilding tem para a natureza e quais os resultados que pode atingir em escalas cada vez maiores. Além disso, para além da renaturalização da paisagem e dos ecossistemas, terá ainda uma importante função de turismo baseado na natureza e sustentável, com o objetivo de ser um verdadeiro showcase de aplicação de rewilding e dos seus efeitos.

Com uma paisagem heterogénea, boa diversidade de habitats e espécies associadas, o terreno desta propriedade tem condições muito favoráveis à renaturalização do mesmo, que já está a ser levada a cabo. O Vale Carapito integra a Rede Natural 2000 e faz parte do SIC Serra da Malcata e  beneficia ainda da sua proximidade à aldeia de Vilar Maior e às suas comodidades e serviços, assim como do património histórico e cultural presente na região (Grandes Rotas do Vale do Côa e das Aldeias Históricas, pequenas rotas, etc.)

Créditos: Rewilding Portugal

Outro ponto muito positivo a destacar tem sido a adesão da comunidade local, nomeadamente das entidades oficiais da freguesia, que têm apoiado a Rewilding Portugal e respetivos parceiros em todas as ações dos seus projetos quando necessário, demonstrando recetividade em ajudar nesta missão de tornar esta região de Portugal num lugar mais selvagem e natural, e atrair turismo de natureza sustentável e de qualidade, fazendo com que a região se destaque pelos melhores motivos para se tornar escolha regular dos visitantes. Através das ações de promoção do território e das suas mais valias, num âmbito que respeite a conservação de natureza a ser levada a cabo neste local, desenvolvidas pela Rewilding Portugal, existem possibilidades muito interessantes de o Vale Carapito contribuir ativamente para valorizar este território, apoiando os tecidos económicos e sociais locais.

Várias ações de conservação já ocorreram nos últimos meses, nomeadamente a monitorização de flora e fauna, para estudar a biodiversidade vegetal e animal da propriedade, assim como da paisagem e dos solos, algumas delas com o apoio da Terra Prima. O objetivo destas ações de monitorização é conhecer o território em que nos encontramos a trabalhar e poder comparar níveis atuais com os níveis após aplicação de medidas de rewilding (passivo ou de gestão ativa em casos específicos). Estão ainda planeadas ações de promoção de pastoreio natural, através da utilização de herbívoros em estado semisselvagem;; ações de remoção de estruturas obsoletas, que funcionam como barreiras para a fauna selvagem da região; ações de controlo de espécies invasoras; ações de gestão ativa de combustível e ainda ações de vigilância do território.

Trabalhos de monitorização de flora no Vale Carapito. Créditos: Rewilding Portugal

De acordo com Pedro Prata, Líder de Equipa da Rewilding Portugal, “Este trabalho em Vilar Maior é o primeiro passo concreto no terreno de uma estratégia de conectividade do corredor ecológico do Grande Vale do Côa. O nosso trabalho aqui vai permitir afinar a estratégia de renaturalização a nível da paisagem.”

A aposta de realizar turismo baseado na natureza através do Vale Carapito vai gerar novas oportunidades económicas para a comunidade, já que é possível desenvolver um novo modelo de negócio para trazer a natureza de volta a zonas marcadas pelo declínio económico, perda de população e abandono agrícola. Ajudar a natureza a recuperar, restaurar ecossistemas funcionais, com uma grande abundância e diversidade de vida selvagem pode trazer benefícios para as populações locais. Por esse mesmo motivo, já foram criados pacotes turísticos através de parcerias com a Impact Trip e European Safari Company, assim como ofertas turísticas com experiências mais individuais junto dos operadores da Rede Côa Selvagem, que incluem atividades no Vale Carapito para poder descobrir a natureza de uma forma consciente e responsável.

Fernando Romão (WildLife Portugal) em Vilar Maior

 

Dormir no conforto da Casa Villar Mayor

A Casa Villar Mayor, unidade de turismo em espaço rural, é o alojamento mais procurado de Vilar Maior. Uma casa de campo com um cunho histórico relevante, conhecida pela tranquilidade, harmonia, hospitalidade e respeito pela natureza com que brinda os seus clientes. Este espaço segue princípios de sustentabilidade e turismo responsável e, por isso mesmo, encontra-se alinhada com o turismo baseado na natureza promovido pela Rewilding Portugal, motivo que originou a adesão deste espaço à Rede Côa Selvagem, nova rede de oferta turística destinada a promover o lado mais selvagem de Portugal que se pode encontrar no Grande Vale do Côa.

Turismo assente numa ideia de ambiente familiar, de proximidade, com autenticidade e partilha de experiências, saberes e sabores tradicionais da região e o local ideal para repousar e pernoitar se estiver de passagem ou de visita à região e à sua nova área de rewilding, neste parceiro oficial da Rewilding Portugal.

Maria Cândida Cardoso, gerente da Casa Villar Mayor, não tem dúvidas sobre a importância desta parceria e sobre as mais valias que representa para o seu espaço, classificando-a como uma “parceria estratégica, alinhada com a nossa missão e absolutamente essencial para a dinamização da nossa terra e consequentemente da nossa casa”. Sobre a nova rede de turismo, refere que a integração na mesma é “fundamental para criar, no Grande Vale do Côa, um destino turístico de natureza sustentável, promovendo assim sinergias e colaborações entre os diferentes atores-chave da região, dinamizando o trabalho em rede, aumentando deste modo a probabilidade de sucesso das iniciativas individuais”.

 

Casa Villar Mayor, Vilar Maior, Sabugal
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